
Martim Moniz, Lisboa, 1961.
Fotografia de Artur Goulart, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Tinha esta para cá pôr faz tempo.
Tinha ideia de falar aqui dos pavilhões de lojas do Martim Moniz — aquela ali é de malhas, mas havia vidrarias, chapelarias… As que mais me lembra são as sapatarias onde os empregados das lojas atendiam com cerimónia e orgulho profissional. Havia sempre o número do cliente; lá fui aprendendo que calçava o 22, o 23, o 24, o 25 e que se ficasse um bocadinho grande não fazia mal, que o pé estava a crescer. E havia a obrigação de pôr sempre a tampa da caixa debaixo do sapato quando se via se servia. O calçado era para estar imaculado desde a sola à gáspea até ser vendido. Nem ninguém compraria doutra forma. Hoje é-se ligeiro nestas coisas.
Ao depois aquilo acabou; como era provisório — fora feito para realojar os lojistas despejados pelas demolições da Mouraria anos antes… Mas nos anos oitenta ainda os pavilhões se mantinham: o Barradas, que berrou da janela ao bairro inteiro o golo do Jordão contra a França no Europeu de 84, trabalhava lá nessa altura. E quando outros do bairro gingavam o pente para alisar o cabelo ele exibia a calçadeira. Mas ao depois aquilo acabou mesmo. Há lá outra coisa agora…
O autocarro da imagem é o 16.
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Martim Moniz
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Que saudades destes autocarros de dois andares, sem ar condicionado, mas onde se viajava sentado...
ResponderEliminarO velho 9 para Campo de Ourique!
O meu adorado 16, que agora já não faz Martim Moniz. Que lindos que eram os verdinhos:)
ResponderEliminarCumpts
As sapatarias onde eu comprava os meus sapatinhos de camurça preta (anos 50) por 300$ ou 500$ eram tipo "Minie" lollll Lindos!!!!!!
ResponderEliminarAnos cinquenta a 300 escudos ?
ResponderEliminarCaramba, acho caro !
J.Q.Soares: Sentados, pois. Uma característica ancestral das viagens de autocarro. // Dª T.: Eram uma maravilha. Mas este 16 em 61 era só do C. do Sodré ao M. Moniz. Não chegava a Arroios. // Tipo rata Minie? Então eram giros. // Asdrúbal: talvez fosse mais para o fim da década. // Cumpts.
ResponderEliminarNada caros, caro Asdrubal que o diga uma famosa (na altura não tanto) estilista da nossa praça, que quase se descabelava para os comprar todos....
ResponderEliminarSe encontrar a foto onde os calço eu mando. Eram camurça e sola de pele mesmo, não imitação, tadinho do bicho....
Homens!!!!!!
Lembro-me tão bem destes pavilhões e de lá comprar sapatos em miúdo, e havia também umas ourivesarias.
ResponderEliminarEm criança morei um pouco mais acima do Martim Moniz, na Villa do Castelo.
Por falar em autocarros de 2 andares verdinhos, ainda ontem passou aqui um à porta, ia de volta para o Museu da Carris.
Um abraço
Caríssima «Luar» :
ResponderEliminarNesse tempo, acredite ou não, mas é sem "complexos" de espécie nenhuma, ainda se me virava do avesso o fatinho para o domingo e oferecia-se-me os sapatos usados do meu primo-irmão. Nos anos sessenta, meados, um par de sapatos «normais» custava à volta de 150 escudos.
Daí talvez que não me lembre das camurças e de peles genuínas. Mas não creia que me ache um herói dos tempos difíceis. Era simplesmente assim, e hoje, com os meus Pais octogenários e uma vida muito mais folgada, tenho muitas saudades desses velhos tempos das peúgas cerzidas, dos petromax's e dos candeeiros a petróleo, das velas de cera, ou do leite fervido. Fomos sempre felizes.
Platero: É verdade! Havia também ouriversarias. E deixe-me cá espreitar para ver se ainda foi a tempo de fotografar o autocarro. Cumpts.
ResponderEliminarPois é! E também havia a carreira 8 e os eléctricos; enfim coisas do passado.
ResponderEliminarcpts.
O amigo Simão despertou-me a curiosidade e fui ver: o 8 no tempo desta fotografia ficava-se pela Praça do Chile (cf. http://www.math.ist.utl.pt/~lcf/CCFL/php/guia.php?ano=1962.02&carreira=8 ); muito provavelmente porque havia muitos eléctricos para o Martim Moniz ( http://biclaranja.blogs.sapo.pt/arquivo/1046837.html ). Cumpts.
ResponderEliminaro que era lisboa e no que se tornou
ResponderEliminarPartilho algum do seu pessimismo, Tron. Cumpts.
ResponderEliminarCaro Amigo, Lembrei-me de voltar a estas coisas dos blogues. Assim, de novo escrevo e de novo leio. Mas poucos há que mais prazer me dão de ler que o rubricado pelo amigo... Tenho que confessar que, num determinado tipo de verbetes que escreve, o amigo inspira-me. Um abraço.
ResponderEliminarSeth Sacannalive
É espectaculo, so falta ver o velho salão lisboa. Fantastico! - Vou mandar a foto com o link, acho que ja lho dei, para um tuga que de Marvila está em Londres desde os anos 60.
ResponderEliminarZM: É recíproco. E a inspiração também a apanho lá. Peço-te desculpa por andar arrediço. É da falta de tempo. Mas não desculpa tudo, bem sei. Abraço! // Obrigado sr. Montenegro. Cumpts.
ResponderEliminarCheguei aqui porque um amigo comprou um disco dos Hawkwind numa destas lojas e quis saber de onde tinham vindo estes pavilhões. O amigo sabe? Foi de algum mercado que ardeu?
ResponderEliminarEsses verdinhos eram uma maravilha... e com boa perna apanhavam-se em qualquer lado... bastava correr!
Nice blog - CM
www.motorheadbangersportugal.blogspot.com
Não sei se entendi. Donde vieram os pavilhões...? Cumpts.
ResponderEliminarAinda me lembro desses pavilhões! Luar, Asdrubal e outros: podem ter sido atendidos pelo meu Pai, que era aí empregado de sapataria, pelos anos 50. Diz-me ele que, nessa altura, um par de sapatos de homem custava, em média, entre 160$00 e 200$00, mais de metade do que ele mesmo ganhava. Caros, portanto, em relação a hoje. Os preços não subiram na mesma proporção em todos os produtos...
ResponderEliminarAndar calçado ainda era um luxo urbano. Nas aldeias andava-se descalço. Cumpts.
ResponderEliminarHa tempos que andava à procura de fotos desta zona nos anos 60! Gostei
ResponderEliminarMérito do fotógrafo.
ResponderEliminarCumpts!