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quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Instrução

Escola, M. Keil
 Ouço o sobe e desce sobre o abandono escolar e fico a pensar na instrução pública, no ensino...
 A instrução é um trato entre duas partes que só têm deveres: o mestre instruir e o aluno aprender. Se uma das partes faltar ao seu dever o objecto do tracto, a instrução, torna-se inexistente.
 Ora o que aprendo deste sobe e desce é que se dá grande importância à porção de alunos que rompe o tracto. À porção (um número) não aos alunos. Isto para comparação com esses modelos de virtudes que são o estrangeiro e a média europeia. A prova desta intenção distorcida são todos os rodriguinhos já inventados e decretados para não reprovar os cábulas. Mas mesmo assim é preciso que os cábulas se mantenham no sistema.
 Percebeis agora a razão da prioridade em mantê-los?
 Isso mesmo: para fazer número.
 Já aqui disse que até os burros tem vontade própria e por isso sei que não adianta agora também chamar à razão estes que preconizam a instrução pública enfeudada à ensinometria.
 
Resigno-me. Sugiro-lhes que façam um projecto. Contratem uma agência, promovam uma ampla campanha muito descontraída informal cool para cativar as azémolas; adornem-lhes as albardas, doirem-lhe os arreios com uma cena - sei lá - olha! tipo Allgarve; o mote lema divisa slogan pode ser: Na Escoola ninguém Xoomba!




Ilustr.: Maria Keil, Luís Filipe de Abreu in Livro de Leitura da Primeira Classe, 1ª ed., 1967.

5 comentários:

  1. Scarlata6/9/07 09:55

    A situaçao é grave... mas nao pude deixar de sorrir com a tua proposta. :D

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  2. Meu Caro Bic, não é um falhanço do ensino, pois a governação das últimas décadas há muito prescindiu dele como objectivo principal. Ergueu um novo, o de cativar a universalidade discente para a escola. Eis agora, posta ao léu, toda a medida do seu fracasso. Ab.

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  3. Bic Laranja6/9/07 22:13

    Grazie Scarlata! // Até errando se fracassa. Haverá futuro? // Cumpts.

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  4. asdrubal7/9/07 01:26

    «(...) Fernando Santo afirmou que, dos actuais 314, «não faz sentido existirem mais de 60/70 cursos de engenharia».
    Isto porque, na sua opinião, «não vale a pena fazer marketing de cursos por nomes», lamentando que existam «cursos que têm três designações mas são um 3 em 1, para enganar as pessoas(...)». (TSF)

    Simplesmente não se pode viver num País assim.




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  5. Bic Laranja8/9/07 00:16

    Vai ver-se e até gente grada foi enganada... Ou talvez não. Cumpts.

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