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Descendo a rua a caminho da praia há uma porta (imagem 1) que aprecio. É azul com postigo de friso branco. Recolhe-se num alpendre poligonal; é pitoresca, parece do Lego. O contraste do azul com o branco da casa dá-lhe um toque rústico. A vivenda a que esta porta dá serventia não é desengraçada. Estava inacabada há dois Verões, e assim a encontrei, sem avanço na construção, no Verão passado: faltava-lhe o portão e a cerca completando o muro. Mas teve lá gente, que eu vi ali pessoas e um carro em frente. Nessas vezes cheguei a ver a porta aberta. Evitei olhar para não ser coscuvilheiro. Indo e vindo ficava indeciso sobre fotografá-la. Finalmente fi-lo e ficou bem, enquadrada com os tons suaves do chão e do tecto do alpendre. Até o capacho ficou bem...
No Claustro da Hospedaria do Convento de Cristo, este Verão passado, notei no peristilo uma porta verde escura (imagem 2) também com postigo de friso branco. Em si mesma falece-lhe o lustro envernizado da da vivenda algarvia, mas excede muito aquela em dignidade por causa da ombreira de cantaria. É uma porta pequena, mas antiga e com algum porte...
Às horas certas, meias horas e quatros tinem dum altifalante de feira umas badaladas fanhosas sobre aquela portada da igreja de Vérigo (imagem 3). É dupla e não tem postigo. De assinalável recebe a luz doirada da tarde, que dá um certo tom bronzeado inclusive à alva parede. Junto-a nesta espécie de conselho de portas acrescentando que ao fundo da encosta desta igreja de Vérigo corre um ribeiro; mas nesta terra não conheço nenhum castro...
Parafraseando um adágio em dia de mentiras, digo: não há bem que sempre dure nem treta que se não acabe. Mas teria graça que esta treta sobre portas agora acabada baralhasse os motores de busca durante uns dias...
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