Este, quadro, esta cena delicada, saíu-me para comentar numa prova há muitos anos... Não me recorda o que escrevi; algumas baboseiras sobre a infância no Antigo Regime, coisas dessas que me tinham ensinado no 12º ano. Não creio que tenha dito nada sobre parecer um retrato de grupo, idílico, encenado como que por um fotógrafo. Um da cidade.
- Vós, senhora, quedai-vos aí com o bebé!
- Ó menino, podes tocar a tua flauta?! Vós as três, subi ali para a carroça!
- Meninas! Ide para além mais para a beira dos porquinhos.
A aparente inexpressividade é porque não são actores, estes camponeses. Não é hábito posarem para retratos; não sabem bem que hão-de fazer e mostram-se pouco à-vontade. O menino na carroça toca timidamenrte...
O retratista fixa com olho fotográfico a cena, deixa uns luíses por conta dos ovos que leva e segue para o atelier para revelar a cena que imaginou. Porque na realidade talvez os miúdos dançassem e corressem e pulassem ali na quinta, e não isto... E talvez a mulher lhes berrasse que estivessem quietos, desesperada com o bebé que chorava desalmado.
Mas olhando para o quadro, talvez não...
Louis Le Nain [atr.]
A Carroça ou o Regresso do corte do feno, 1641
Óleo sobre tela, 56 x 72 cm
Paris, Museu Nacional do Louvre
(François Couperin, Les Nations — La Françoise, 1725)
Estamos bucólicos ou talvez não:)
ResponderEliminarNão. Optei por um verbete neutro; sem 'alegorias'. Tal como esta tela. Cumpts.
ResponderEliminarEstava a ouvir a música e a olhar para o cuadro, se calhar fui engolida pela pintura. O que faço para sair?
ResponderEliminarAh! Ah! Já tentou desligar a música? Pode ser que resulte. :) Cumpts.
ResponderEliminar