Referiu-se o meu bom e velho amigo Pitxaime, num comentário n' O horizonte, ao arquitecto Norte Júnior (1878-1962). Deu ideia que o prédio que se lá vê em primeiro plano, na esquina da Sidónio Pais com a Eugénio dos Santos era seu. Convém esclarecer que o arquitecto Norte Júnior não se evidenciou neste estilo monumental do Estado Novo dos anos 40 (dito Português Suave, mas não sei porquê), e que tanto apreciamos ambos naqueles quarteirões sul da Av. Sidónio Pais e não só. Não. Norte Júnior é arquitecto anterior e mais voltado às Artes Decorativas. Tenha eu engenho para isso, hei-de cá tornar a falar dele.
Torno agora à Sidónio Pais, aqui noutra fotografia de vista desafogada: em primeiro plano o n.º 14, do arquitecto Reis Camelo (1899-1985), prémio Valmor em 1945. Em sintonia de estilo lá tendes a seguir o n.º 16; o projecto é do arquitecto Pardal Monteiro (1897-1957) e obteve o Prémio Municipal de Arquitectura em 1947.
Esta avenida é bastante uniforme e tem grande monumentalidade. Haverá quem não aprecie o estilo por isto ou por aquilo e lá terá a sua razão. Mas ninguém me convence que os armazéns do Corte Inglês destoando lá mais ao cimo melhoraram o conjunto. Isso não!
Av. Sidónio Pais, Lisboa, c. 1952.
Joaquim Germano de Matos Sequeira, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
Prémio Municipal de Arquitectura de 1947, Lisboa, c. 1952.
Armando Serôdio, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
domingo, 11 de fevereiro de 2007
Av. Sidónio Pais
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Fotos espectaculares, uma vez mais... :)
ResponderEliminarSócio,
ResponderEliminarQuase que meti água, não é? Quis abrilhantar o teu blogo com mais uma preciosidade e quase borrei a pintura. Mas deixa-me acrescentar alguns esclarecimentos. Tens razão quando dizes que o Mestre Norte Júnior não se evidenciou no estilo português suave. No entanto não quer dizer que não tenha feito algumas obras nesta altura. Repara que o senhor só foi para a quinta das tabuletas em 1962. Portanto: confusão. Eu sei que desta época há umas coisas dele algures em lisboa. E estão "plantadas" algures em local por onde eu passava com regularidade. Já se vê que não é nenhum destes dois que apresentas aqui - como é que eu fui capaz de ligar o Norte Júnior com o Pardal Monteiro, isto realmente merecia um puxãozinho de orelhas.
Deixo-te aqui um desafio à moda antiga, tenta-me lá encontrar qual terá sido o edifício todo ao estilo estado novo que terá sido projectado pelo manecas. e deixo-te aqui algumas eventuais hipóteses: - será o edifício que está sensivelmente a meio desta mesma Sidónio Pais, aquele que faz esquina com a alameda Cardeal Cerejeira? - será aquele edifício que faz esquina entre a Manuel da Maia e a alameda D. Afonso Henriques. aquele onde iamos pagar a segurança social, está a ver qual é? Confesso que não fiz pesquisa nenhuma. Estou aqui a escrever de cor. Já percorri a minha memória mas não me consigo lembrar de tudo. Até me lembrei do Areeiro, mas esses são do Cristino da Silva. Mas sei, pá, sei que há umas coisas dele feitas nesta altura. Quem encontrar primeiro avisa o outro, vale?
Caiê e Puggle: Mérito dos fotógrafos. E dos arquitectos, claro. Cumpts. // Pitx: Não meteste água nenhuma, amigo. Talvez tenha eu provocado melindre com uma explicação insensata. Tu lembraste-me em boa hora do arquitecto Norte Júnior e o que dizes de ele ter obra em estilo 'português suave' faz todo o sentido. Aqueles do cimo do Parque não são dele, mas na sugestão da Manuel da Maia acertaste: trata-se do nº 40 e é de 1948; não faz esquina para a Alameda, é o anterior. Mas são tão semelhantes os dois que não me espantava que vissem do mesmo punho. Um abraço!
ResponderEliminarfoste lé de propósito? não acredito. és o máiór.
ResponderEliminarpronto, lá está, havia afinal algum fundamento na minha observação.
maravilha!
aquele abraço, associado (lê-se "sóss")!
Passo lá quase todos os dias, nem foi desvio. Do semáforo vê-se a gravação com o nome do arquitecto. Faltava era olhar. Bem lembrado. Abraço!
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