Há por aí uma coisa chamada mercado que é imperativo, dizem, seja deixada em roda livre. Enquanto o mercado roda livremente, os preços das casas (preços de mercado, bem entendido) movem populações inteiras para dormitórios suburbanos cada vez mais longe dos lugares de produção (de serviços e bens de mercado, obviamente). Como as leis do mercado tendem para o equilíbrio, há no mercado popós confortáveis e catitas para prover ao pêndulo casa-trabalho. Todos os humanos escorraçados (por virtude do mercado imobiliário) de ao pé do lugar de trabalho podem ir de popó. Cansam-se até menos que se fossem a pé por morarem a dois passos do trabalho. Como podem ir de popó vão... Todos ao mesmo tempo. Fazendo lembrar uma multidão que procura entrar por uma porta onde só passa um de cada vez.
O nomadismo pendular não passa de sedentarismo de roda na mão. Por isso há tempo para observar que milhares, centenas de milhar de popós particulares [agora diz-se] privados, parados, a queimar e a queimar e a queimar, dia após dia após dia, hão-de poluir e muito o meio-ambiente. Ai pois hão! Daqui se conclui, qualquer humano engarrafado nos caminhos nas acessibilidades [adoro estes rodriguinhos de linguagem] concluirá que muita poluição decorre do mercado (imobiliário, automóvel, dos combustíveis, enfim, global como o dito aquecimento). E só não vai perceber isto quem não andar sujeito ao pára-arranca, ou quem faleça de elementar bom senso.
Pois o governo amandou com as culpas todas aos taxistas!
Imagem de Mundo Motorizado, nº 582, Julho de 1989, apud Fórum Auto-Hoje.
Nota final: tanto texto riscado lá em cima demonstra a poluição da linguagem de hoje que também pode ser atribuída (tal como o governo faz, à falta de melhor) aos taxistas.
É curioso esta coisa do mercado. Se o mercado livre resolve tanta coisa, porque não se deixam os taxistas livres (ah, e já agora os hipermercados ao Domingo de tarde)...eles próprios se aperceberiam que é melhor andar com o carro com passageiro do que a passear vazio. Se todos andarem menos, andam mais kms com passageiro.
ResponderEliminarIsto do mercado é muito complicado. As fronteiras da intervenção são muito dificeis de definir.
Li isso ontem também, pobres taxistas. Alguém tem que ser o bode expiatório, não?Mas atendendo que o táxi é o meu meio de transporte favorito, parece-me muito má ideia.
ResponderEliminarUrsos!
ResponderEliminarNão era muito mais lógico bloquear o trânsito dos automóveis privados, ao domingo(para não causar problemas a quem trabalha), deixando circular somente táxis e transportes públicos? Evidentemente tem medo de gerir a raiva do povo... A verdade seja dita, o bloco serve muito pouco ao ambiente (sempre é melhor que nada, é verdade), mas que é fixe andar de bicicleta calcorreando toda a cidade é...
Mas é o que eu digo: Ursos!
Eu como sou uma optimista, espero que esta medida seja a primeira das outras que vão proíbir os veículos privados.
ResponderEliminarE intervir no mercado imobiliário para as gentes morarem mais perto do trabalho? Já não seria preciso andar de carro, pois não, Pedro? // Dona T., com panaceias de mentecaptos os bodes expiatórios somos nós. // Para não dizer pior, Scarlata. // Isso é que é optimismo Marta! Armava-se um 31, é o que era. // Cumpts. a todos.
ResponderEliminarPois eu estou com a Marta, Meu Caro Bic Laranja. Que diabo, teria de haver um aspecto da China maoista a que eu fosse sensível! E para os outros não virem no pacote, nada como o "dois cavalos" da imagem que, hoje por hoje, sugere passeio e não corrida desenfreada fruto das opressões do dia a dia urbano, as horárias, nem que seja. Abraço.
ResponderEliminarConvenhamos que isto dos táxis é bem uma chinesice. Cumpts. :)
ResponderEliminarO que levou as pessoas para fora dormitorios suburbanos não foi o mercado: foi o intervencionismo estatal. As rendas estão regulamentadas há 80 anos...
ResponderEliminarPois que intervenha o Estado para repor o que estragou. Cumpts.
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