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sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Laranjada BB

 Dantes as coisas eram mais simples. Se um objecto tinha um valor, o lógico era esse valor reverter, por exemplo por venda, para o dono da coisa. Subtrair o dito objecto ao seu dono sem a correspondente compensação pelo seu valor seria um abuso, um roubo. Supondo um objecto fabricado com determinado fim, ele há-de ter o valor correspondente à utilidade para que foi criado. A quantificação do valor será — dizem — aquela que o Mercado determinar. E se não servir ao fim para que foi criado nem a qualquer outro, é natural que o tal objecto não valha nada. Então será lixo. Pode desprezar-se (não dar preço), pode deitar-se fora sem mais prejuízo do que o inerente à criação do próprio lixo.
 É das garrafas da laranjada BB que vos falo. Eram elas como todas as garrafas fabricadas para transportar laranjada. Quando eu bebia toda a laranjada BB contida numa garrafa, tal não retirava a utilidade à garrafa. Antes pelo contrário: uma garrafa de BB vazia era 100% útil para transportar laranjada. Daí que o Mercado legitimamente a valorizasse.
 Ora as garrafas de laranjada de hoje são idênticas às da BB, mantendo a mesma a utilidade que havia dantes, para transportar laranjada múltiplas vezes. Porém, depois de esvaziadas uma vez, o Mercado — talvez por nele haver pessoal [teóricos] a mais — determina a inutilidade das garrafas, anulando-lhes assim como que administrativamente o valor. Os donos das garrafas, julgando possuir coisas sem valor, são persuadidos a dar as garrafas ao Mercado sem receberem a correspondente compensação pelo seu valor. Dantes, quando as coisas eram simples, isto seria abuso de confiança, roçando até o peculato, ou não fosse roubo refinado. Agora acho que é lei.

Av. da República, Amadora (G.Nunes, 1965)
Av. da República [toldo com anúncio à laranjada BB], Amadora, 1965.
Fotografia de Garcia Nunes, in  Arquivo Fotográfico da C.M.L.

5 comentários:

  1. Acertou em cheio. Na foto e no texto. Abraço

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  2. Meu Caro Bic Laranja: é que as garrafas BB remetiam para a B. Bardot, ou seja, era impossível negar-lhes valor. As de hoje revelam a decadência do tempo, ao nem para essa iluminante referência reenviarem. Abraço.

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  3. eu gostava era das de Laranjina C! Eram baixinhas e gordinhas com a laranjada mais amarela que já vi, sempre gostei de as colocar ao lado das da Fanta (existiram no ínício de 60s de. fugigiram agora voltaram)pois eram cor de laranja mesmo laranja.
    Já sei que nã davam jeito para arrumar etc mas se fosse por isso metade das coisas iam para o lixo!!

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  4. Agora é principalmente desperdício, nem sequer reciclável porque a maior parte das pessoas não as poêm no vidrão.

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  5. Bic Laranja10/11/06 21:00

    Obrigado, caro Manuel! // Andam-nos a adormecer, caro Paulo. // As da Laranjina C, Luar, tinham depósito como as da BB e todas as outras. É uma novidade que me dá da existência anterior da Fanta. // E fazem muito bem MFBA. Deviam devolvê-las ao fabricante exigir o valor cobrado. // Cumpts. a todos.

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