Lá mais abaixo a casa do escritor Saramago é talo e couves a casa do meu avô lá na terra. Aquela porta com postigo; o degrau à entrada a lembrar que é terra alagadiça; o batente da porta que girava a lingueta do trinco. Até a tinta descascada....
Passei de raspão pela Azinhaga no dia de São Martinho e achei-a mui florida e arranjadinha, mas... As casas rústicas andam pintadas, não caiadas; a caixilharia de alumínio entrou nas casas porta dentro e pôs-se à janela com estores levantados. Estores nas casinhas rústicas da Azinhaga, imagine-se! Algumas passaram a ter um sobrado, tornando-se aberrantemente type maison. A Azinhaga foi a aldeia mais portuguesa do Ribatejo no concurso de 1938. Agora parece trajar fato de cidade com lacinho meio a despropósito em vez do castiço trajo de lavrador ribatejano. Vede bem que há rotundas num termo e noutro da aldeia.
Bomba na Rua da Amendoeira, Azinhaga, 2003.
Fotografia: Dias dos Reis.
Quem procura imagens da Azinhaga na Internete quase lhe só sai o escritor Saramago. Uma que não é ele é esta aldeã junto à bomba de água, parece que na Rua da Amendoeira. Sempre me fascinou o pitoresco destas bombas de puxar água. Em menino esforçava-me por tirar água dando à manivela mas ela fugia-me das mãos quando dava a volta por cima; eu era muito pequeno. Ao depois cresci e resolvi o problema, mas logo me embaraçava perante a destreza das mulheres da terra girando a manivela em grande velocidade com uma só mão e com a outra apoiada na anca. Eu precisava de usar as duas e demorava sempre mais a encher o cântaro.
E falando agora nisto, nunca vi os homens da terra (ou o meu pai) irem à água...
Achei este blogs muito interessante e com post lindos, gostaria de passar novamente por aqui com mais calma.
ResponderEliminarParabens por esta foto do dias dos Reis.
visita a tibeu para que eu fique com o link
Caro Amigo:
ResponderEliminarÉ sempre um enorme prazer passar por aqui. Rever fotos da minha vizinha Azinhaga do Ribatejo, é realmente muito bom.Sem querer criar qualquer tipo de rivalidade, deixe-me que lhe proponha o seguinte: se tiver um pouco de disponibilidade, visite www.opombalinhense.blogspot.com e procure Fontes do Pombalinho. Afinal de contas, o Ribatejo parece não ter limites, não é?
Um abraço.
É linda esta bomba de puxar água.
ResponderEliminarSempre foram as mulheres a ir à água. Se calhar por ser em cântaros postos à cabeça, ajeitados em rodilhas(há séculos que não dizia esta palavra!) que se trazia a água.
Cumprimentos
Caro Amigo: Estas manivelas tinham ainda outra manha para com os desajeitados como eu, nas compitas a ver quem a fazia dar mais voltas. Safavam-se das mãos, como diz, e pregavam valente soco de inércia, se a esquiva não fosse rápida.
ResponderEliminarE tenho saudades pois. E, tal como disse MFBA, de ver as mulheres de rodilha e quartas (por lá dizemos quartas) à cabeça.
Abraço
Sempre existiram aguadeiras e não aguadeiros!!! à falta de outras opções existiam as crianças!! Beijinhos
ResponderEliminarPode vir sempre que lhe apeteça, D. Tibeu. Obrigado! // Fez muito bem em lembrar o seu belo verbete, amigo M. Gomes. Grato pela sugestão. // Há lá várias bem conservadas; tal como no Pombalinho, amiga MFBA. Cumpts.
ResponderEliminarAlém de embaraçoso (no meu caso) era um exercício perigoso (no seu). Cuido que a sua esquiva o haja sempre safado, amigo Manuel. // E era esse o meu caso, D. Borboleta. // Cumpts. para ambos.
ResponderEliminarMeu Caro Bic Laranja:
ResponderEliminarE não será a Senhora fotografada da família do escritor? Lamento lançar esta sombra de difamação, mas há que considerar todas as hipóteses. Quanto à útil geringonça, faz-me lembrar uma cena de BD que entrou no meu imaginário infantil - os Dupontd a bombearem ar para o escafandro, na aventura de Tintim «O TESOURO DE RAKHAM O TERRÍVEL», em que a roda da manivela apresentava semelhanças.
Abraço.
Oásis de invocações sãs e formosas.
ResponderEliminarA bomba de água! Há anos que não me lembrava de uma igual que havia num jardim de meu Avô! E só quem em miúdo não se agarrou a uma dessas manivelas, é que não evoca a pega de tamanho desmesurado, o arranque do balanço , o ruído chiado, o tal "soco" da inércia, e o inevitável chapinhar a que obrigávamos as botas ou o coiro das sandálias de verão...
Bom dia,
ResponderEliminarÉ com frequência que visito o seu blog que considero de excelente de qualidade.
Será que me pode indicar onde e com posso tentar obter fotos os postais antigos de Cernache do Bonjardim? Como autor do blog http://cernachedobonjardim.blogs.sapo.pt/ gostaria de lá publicar um pouco do nosso passado, coisa que não tem sido fácil.
Antecipadamente grato pela sua eventual ajuda.
Rotundas num termo e noutro da aldeia? Pronto, agora sabemos onde gastam os fundos da CEE... olhá bela da rotunda!
ResponderEliminarComo sempre 'boas postas' - Right on! ;-)
Creio que fica a ilustração completa ,caro Je mantiendrai; esquecera-me do chiar da bomba. // O amigo de Cernache que me desculpe não o conseguir (para já) ajudar. Mas ficarei alerta. Estou certo que quem por aqui passa também. Grato pelas suas palavras. // Grazie, Scarlata. Saluti.
ResponderEliminar