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sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Iniciativa

 Trânsito já é mais estar parado num engarrafamento que sinónimo de gentes em marcha. Daí, talvez o recurso ao vocábulo mobilidade como atributo duma semana para brincar à liberdade de movimento da gente urbana.
 Um contra-senso é haver na dita semana da brincadeira um dia sem carros. Ora não é o automóvel (logo por definição) um dos meios que dá maior mobilidade? Ele acrescenta aos humanos velocidade sem esforço; estende-lhes o alcance sem os cansar; leva-os de porta-a-porta (nalguns casos quase à sala de jantar) com maior comodidade e sem mistura com estranhos. Torna-se pois acintoso, numa semana crismada da mobilidade, impedir às gentes o trânsito em automóvel, esse insofismável paradigma da mobilidade, na Rua de S. Sebastião, por exemplo, permitindo aí, porém, o trânsito em veículos de inferior potencial de mobilidade (trotinetas, burricos e humanos... a pé). No limite, hoje, dia europeu sem carros, até um carro de bois (que não deixa de ser um carro, pois então) poderia descer a Rua de S. Sebastião. Um automóvel é que não.
 Toda esta palermice (a da iniciativa, não a que escrevo) demonstra bem o empenho em fazer das gentes imbecis com pantomimas de parecer bem (leia politicamente correctas, se preferir).
 Outra palermice (a que escrevo) não passa de fraca ironia. A mobilidade (ou a falta dela) é tão só um sintoma de avidez, preguiça e estupidez. A doença do dia europeu sem carros é a ganância imoral dos edis; é o desmando do imobiliário; é o enxotar cidadãos para os arrabaldes; é a preguiça de planear a cidade; é enfim, a falta de tino para sequer pensar que as pessoas não deviam morar longe do trabalho. Coibir o uso do carro particular nem chega a ser paliativo; nas actuais circunstâncias é no mínimo fazer pouco da gente.


Assinatura do projecto do parque florestal, Monstanto (Mário de Novais, 1938)
Parque Florestal do Monsanto, assinatura do projecto [com o presidente Carmona e o engº Duarte Pacheco], 1938.
Fotografia de Mário de Novaes, in Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa.

 Mas vendo este desmazelo, o melhor é esquecer. Este assunto é perda de tempo.

9 comentários:

  1. Caro Amigo: Mais uma vez, assino em baixo. Ou de como, nestas e noutras matérias só nos têm calhado imbecis. Mas a culpa é nossa. De os deixarmos lá andar a governar-se.
    Abraço e desculpe o desabafo na sua casa.

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  2. Como se costuma dizer faz o que eu digo.....bla bla no dia que os politicos se deslocarem todos os dias a assembleia de bicicleta ou de metro ai sim eu farei a mesma coisa até a data somos nos que pagamos os carros e motoristas dos nossos moralistas politicos saloios.
    um abraço

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  3. Bic Laranja23/9/06 12:23

    Uns metidos no gosto da cobiça e outros nesta vil tristeza. Cumpts.

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  4. Meu Caro Bic Laranja:
    O ladrão que dá uma esmola vê-se fazer um figurão e alivia a consciência.
    É o que acontece com os da nossa tranquilidade.
    Abraço.

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  5. Tive um profe que se indignava muito com o facto de terem transformado o nosso campo de volei num parque de estacionamento. No dia em que comprou um carro, foi logo estacionar a sua máquina lá. Como se veste uma fardazinha depressa, ahn?!

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  6. Bic Laranja23/9/06 21:42

    Obrigado aos dois pela visita. Cumpts.

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  7. AMBIENTE sem carros, blá blá blá blá , a música é sempre a mesma, já parece a SAÚDE deste país, sem conserto.

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  8. Bic Laranja25/9/06 10:19

    Obrigado pela visita. Cumpts.

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  9. Fazem falta homens como duarte pacheco

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