Estava aqui a lembrar-me...
Em meninos, antes de jantar o meu irmão e eu soíamos ir ao Saraiva buscar meio litro de palheto para o pai. Quando queríamos laranjada levávamos a garrafa vazia de Schweppes Pomar porque o Saraiva da taberna não vendia refrigerantes sem vasilhame. A garrafa tinha um valor: se a levássemos sem ser à troca à taberna do Saraiva ou à do sr. João lá ao fundo da rua, devolviam-nos os quinze tostões do depósito — salvo erro era quinze tostões.
A Schweppes Pomar acabou.
Os donos das fábricas de refrigerantes resolveram poupar na lavagem do vasilhame.
Talvez tenham investido os lucros daí obtidos em unidades de produção de garrafas, ditas de tara perdida. Perdida para quem compra, que paga a bebida e o vasilhame, de certeza. Porque compra uma garrafa, dizem, sem valor.
Talvez os donos dessas fábricas de refrigerantes (e de cervejas, de águas naturais ou gaseificadas de múltiplos sabores a tudo o mais) tenham achado bem investir os novos lucros em vidrões e plasticões. Talvez tenham até reinvestido em novas linhas de lavagem... Lavagem ao meu cérebro incutindo-me uma qualquer ideia de fazer o bem se lhes devolver de graça a matéria-prima para me venderem mais garrafas — as ditas da tara perdida; se lhas depositar onde lhes dá mais jeito ir recolhê-las.
Talvez tenham inclusive investido em plasticões e vidrões domésticos para eu lhes separar o trigo do joio com mão-de-obra graciosa. Talvez até mos vendam (os plasticões domésticos) se eu me domesticar para comprar; ou talvez os vendam ao presidente da junta para ele domestica(da)mente os dar…
Talvez um macaco aprenda numa hora a separar o lixo.
E.M. 526 (Albufeira), Vale de Parra, 2006.
A não ser pela Schweppes, nada do que vem escrito acima tem que ver com a intenção de agradecer e retribuir a engraçada menção do Manuel. Devo-lhe ao fim e ao cabo a solução de como ilustrar este verbete que tinha meio alinhavado.
sexta-feira, 25 de agosto de 2006
AL|¯|RVE... E (PUB)
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Caro Amigo: Menção merece-a sempre. O que me surpreendeu hoje foi que ao publicar da fotografia, qualquer coisa tiniu e disse Tu já viste esta forma.
ResponderEliminarE fiquei deveras surpreendido por ser de facto verdade.
Quanto às Schweppes, esta está muito bem caçada, embora seja pena a forma como se tratam estes e outros painéis. Enfim...
Agradeço agora eu a referência e a fotografia. É mesmo das minhas. Um abraço
Quando vi este painel recordou-me que vira algo do género no H Gasolim. "Cacei-a" com intuito de a publicar com legenda a condizer, como fez o Manuel, em altura oportuna. A oportunidade surgiu. Cumpts.
ResponderEliminarMeu Caro Bic Laranja:
ResponderEliminarBoa ilustração. Mas não se preocupe com as taras. Se há uma que se perdeu, outra há, em diverso sentido, que foi achada. Um abraço de quem há muito anda a carpir o desaparecimento da obra de arte que era a garrafa redondinha da Laranjina C.
Obrigado Paulo! Estes e outros painéis publicitários que o Manuel já mostrou (lembro-me duns das velas Bosch, da Mabor... e há mais) são de rara beleza. A garrafinha da Laranjina C também era (e só se fala na da Coca-Cola). Mas o Mundo hoje gira mais depressa: muda-se tudo a toda a hora, nada pode criar raízes, nem o belo; ele é o 'design' novo, ele é a 'mais-valia' de os anúncios serem móveis. Depois, estas belas raridades são desprezadas: por economicamente inviáveis. Enfim: tudo por causa do dinheiro; tudo por causa do dinheiro, senhores!...
ResponderEliminarCumpts.
alagarve antigo e puro que já não volta
ResponderEliminarPois! Cumpts.
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