O Semestre era o sr. Fernando, o sapateiro. Trabalhavam com ele a mulher, a D.ª Armanda e o sô Manel. Ao sábado costumava dar a féria aos sobrinhos , o Rui e o Armando: 25 tostões a cada um.
Mas não era isto…
Certa vez, sendo eu pequeno procurei à minha mãe como se atavam os sapatos. Depois, pensando já conseguir fazê-lo fui a correr ao Semestre:
— Já sei atar os sapatos!
— Ai já! — disse o sr. Praças que era costume ir para o Semestre só para conversar.
— Já!
E desatei logo os cordões dos sapatos.
— Faz-se assim e assim
Não!… É assim
. Espera! Não é assim?
— Bolas! Não sou capaz. Vou a casa aprender outra vez e já cá venho mostrar.
Deixei-os e fui a correr para casa com os cordões desatados, meio envergonhado.
Nunca mais me apeteceu ir ao Semestre demonstrar habilidade nenhuma.
Sapateiro em Sacavém, 1967.
Fotografia de Eduardo Gageiro in Arquivo Fotográfico da C.M.L.
(*) De se[nhor] mestre; tal como setor <= se[nhor dou]tor.
M.C. BICLARANJA
ResponderEliminarTal como tu, existem por ai (Putos Grandes) que sempre que querem mostrar umas habilidades, lhes acontece o mesmo.
A grande diferença é que tu era o atar os atacadores dos sapatos, os sapatos deles são Portugal, esse é que é o nosso drama.
Mas também e ao contrário de ti, não ficam envergonhados, ficam ufanos para ver se ninguem nota.
Mas para azr deles, eles também têm os seus Semestres, o ùltimo dá pelo nome de Jack Welch. Tenham vergonha, vão para casa aprender!
Meu Caro Bic Laranja:
ResponderEliminarA presença de um Mestre intimida até o Mais Pintado. Não há que lamentar. Perdeu-se um especialista em atacar sapatos, ganhou-se, na blogosfera, um a Figura Única no ataque à ignorância. Bem haja!
Face ao exposto atrevo-me a propor a solução da moda, panaceia para todos os males: formação profissional... Obrigado a ambos pelas boas palavras. Cumpts.
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