O senhor do talho era o senhor Chico. Era mesmo assim que ouvia a minha mãe chamar-lhe: senhor Chico, pronunciando audivelmente as sílabas. O talho tinha na parede um enorme cartaz de touradas, coisa que eu vagamente imaginava ligada a bifes. Naquele tempo lá no talho era o senhor Chico e o seu pai. Depois, recorda-me que trabalhou lá o Quim, mais tarde também o Ramona…
Costumava o senhor Chico vir de terça a sábado na sua lambreta verde-clara, grande, de marca alemã. Referindo-se-lhe, todos os lá da rua diziam: a mota do Chico.
Imagem adaptada. Original em HeinkelTourist.com.
A mota do Chico foi anos a fio um adorno quase diário daquela rua. Todos os miúdos, gerações deles, brincaram nela ou fizeram dela assento quando não brincavam a coisa nenhuma. Ele, o senhor Chico, nunca se aborrecia – só se deitassem a mota ao chão, que aconteceu só uma vez. E também não se aborrecia nada quando os miúdos entravam pelo talho pedindo um torresmo. Dava sempre!
terça-feira, 27 de junho de 2006
A mota do Chico
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Uma Heinkel de 175 cc. Saudades...
ResponderEliminarÉ verdade! Cumpts.
ResponderEliminarMeu Caro Bic Laranja: não tive a honra de conhecer o Senhor Chico, mas parece-me Figura com admirável domínio das técnicas de "mercado" - despertar a atenção da criançada com uma mota de cor chamativa, para ajudar a formar os pimpolhos com a bondade do carácter. Um Primor!
ResponderEliminarAbraço.
O senhor Chico era amigo, era! E a mota era um ícone da rua. Cumpts.
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