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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Patologias de passarões

 No seu gabinete, o doutor vai lendo a Internete por cliques espaçados.
 Pela porta entreaberta só o suficiente para ali caber alguém aproximam-se lentos passos de quem caminha com as mãos nos bolsos.
 O doutor vira a cabeça para a porta enquanto o olhar se atrasa no monitor. Adivinha ali o engenheiro.
 Dali, da porta entreaberta, mãos metidas nos bolsos, diz-lhe em voz baixa e tom sério o dito cujo:
 - Parece que há um pato na Alemanha...
 - Parece que há um pato na Alemanha?... - contesta o interrogativo doutor no mesmo tom e voz do engenheiro.
 Sem dizer mais o que seja, entreolham-se doutor e engenheiro.
 Os passos deste último, mãos metidas nos bolsos, voltam ao corredor ganhando distância da porta entreaberta.
 Passados 20 minutos a cena repetiu-se.



Alfredo Roque Gameiro
Ilustrações escolhidas d' As Pupilas do Senhor Reitor, n.º 19.

9 comentários:

  1. Saudade dos pássaros de Mestre Roque! A evolução tem destas coisas! Mas a substituição do Flopes foi coisa positiva? Não são todas aves da mesma capoeira a bicar o nosso milho?
    Cumprimentos.

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  2. Ainda não percebi o mistério: foi o homem que pegou a variante H5N1 às aves ou foram as aves que a transmitiram ao homem? Mais um mistério em torno do cú (perdão, do ovo) da galinha. PIU!!!

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  3. JT: essas aves carregam pior estirpe que o h5n1. // Amiga MOCHO: [que gosto revê-la por cá] mistério para mim, é não ter havido nem uma vaca doida em Castela. Ainda hão-de aves engripadas cá chegar sem passar por lá também... Cumpts.

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  4. Mais do mesmo... =S

    Beijinho e bom fim-de-semana*

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  5. Sou assídua e jamais traio...sou uma ave com carimbo de controlo de qualidade genuíno. PIU! Um óptimo Carnaval.

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  6. É curioso como, para além dos interesses de concorrência que eram mais ostensivos na bovina loucura, o grande público se encontra mortinho por um apocalipse possível, desde que passageiro.
    Como o Homem está desinfectado o bastante para não colarem as lepras, pestes ou tuberculoses de outrora, substituídas por dramas individuais, como o cancro, houve a necessidade de virar para os pobres animais, que já tinham desgraça bastante a afligi-los. Mas MMe. Mocho tem inteira razão na lebre (cá vamos nós outra vez) que levanta: quando surgiram notícias de que a SIDA tivera origem nos símios, um querido Amigo disse-me: «Se eu apanho o zoófilo que se lembrou de sodomizar um macaco infectado...»
    Abraço.

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  7. A Dª Mocho é grata e leal visita; traz de sua natural graça qualidade a este blogo, dispensando qualquer carimbo de certificação. // Paulo: Decretado o fim do Inferno andam os humanos órfãos de um bom apocalipse. Se for nos bichos, melhor. Fica mais um mistério: quais serão os bichos da gripe? // Muitos cumpts.

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  8. Agradeço tão gentis palavras, Bic!

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