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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

A estrada de Sacavém

 A minha mãe dizia-me em menino que o Ribatejo começava em Vila Franca. Na verdade Alverca já era do Ribatejo, mas era o mais típico cenário rural que se via a partir de Vila Franca que a levava a dizer assim. Isto dizia ela quando eu era pequeno. Antes, muito antes, e quando desse tempo mais antigo ela falava, o que eu lhe ouvia era que a cidade acabava no Areeiro; daí a diante era tudo campo.

Estrada de Sacavém, Areeiro (E.Portugal, 1938)
Passagem de nível na estrada de Sacavém, ao Areeiro, perto do retiro A Perna de Pau, Lisboa, c. 1938.
Fotografia: Eduardo Portugal in Arquivo Fotográfico da C.M.L.




 Dada a antiguidade da fotografia e a actual densidade urbana do lugar apresentado, achei pertinente esta adenda (23h20). Junto uma com os pontos da legenda na certeza do valor histórico da fotografia ser do interesse dos leitores que simpaticamente visitam este blogo, os quais, naturalmente, podem estar menos familiarizados com este lugar de Lisboa.



Legenda:
1 - Os dois prédios à direita correspondem aos nos 20 e 22 da actual Rua Agostinho Lourenço (troço da antiga estrada de Sacavém), que desce à esquerda da avenida do aeroporto (no lado oposto à bomba de gasolina, logo abaixo do Areeiro) em direcção à linha férrea.
2 - Cancela da passagem de nível do Areeiro que já não existe, suprimida que foi com as últimas obras na estação do comboio.
3 - Casa no troço da estrada de Sacavém que seguia entre a actual Rua Guilhermina Suggia e a avenida do aeroporto.
4 - Retiro e Quinta da Perna de Pau, a nascente da estrada, uns 100m além da passagem de nível.
5 - Quinta da Fronteira, mais ou menos onde hoje a Av. dos Estados Unidos da América se cruza com a Avenida do Aeroporto.
6 - Terrenos da Quinta dos Lagares d'El-Rei a poente da estrada de Sacavém; a casa desta quinta ainda existe.
7 - Quinta da Feiteira, além do que é hoje a Av. do Estados Unidos da América.

(Revisto em 1/3/2017.)

11 comentários:

  1. Tão deliciosa como a arquitectura é a fila de... veículos, esperando pelo atravessamento. E não deixa de ser curiosa a coincidência do nome do retiro com a de um gelado mítico da minha infância que parece também estar em vias de extinção.
    Ab.

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  2. E reparou nos machos (ou mulas) com os cestos, atrás do calhambeque? Cumpts.

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  3. Pouco conheço de Sacavem mas tenho a certeza que a fotografia será valiosa para quem por lá vive ou passa. Já agora, reparei nos "burricos e na fila de trânsito alternativo" graças aos vossos dois comentários. Para complementar, não vejo grades nas janelas e a vista que se perde no horizonte é hoje impossível de alcançar em qualquer parte da grande cidade em que nos encontremos. Fica bem.

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  4. Atenção! A estrada de Sacavém levava a Sacavém: este lugar é no Areeiro, em Lisboa; a vista que se perde ao longe é onde fica hoje o aeroporto da Portela, que se avista ainda hoje desde o Areeiro (um pouco mais ao lado, não daqui) e vice-versa também. Mas são vistas urbanas, não campestres como em 1938. Cumpts.

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  5. Foi o bichinho que me levou a escrever... "veículos". Uma delícia!
    Ab.

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  6. Claro que reparou nos machos (ou mulas) com os cestos, atrás do calhambeque! Que estaria eu a pensar.Cumpts.

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  7. Olá;
    O Nuno Cabruja está em sérias dificuldades mas com muita esperança em nós!
    Visita-o http://nunocabruja.blog.pt , Ajuda como te disser o teu Coração e divulga no teu bonito blog;
    Conto contigo!
    Um forte abraço;

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  8. Cá fica então o apelo. Votos da melhor sorte. Cumpts.

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  9. trabalho de pesquisa perfeito

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  10. Longe disso. Amabilidade sua, que agradeço! Cumpts.

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