De certo papagueanço de quem não estuda nem se informa ou, sequer, lê com rigor o que se acha na Internete — porque vive e convive e nutre bovinamente o espírito com o pasto de propaganda antifascista que lhe dão à manjedoura — repesco do arquivo (agora com gráfico ilustrativo, para ser mais fácil de entender) algo que disse em 2013. Não cuido, todavia, que venha ainda assim a ser mais inteligível, às araras do costume, o óbvio: quase tudo estava por fazer em 1926, fosse na alfabetização, na electrificação do país, na hidráulica agrícola ou urbana, ou até em coisas que lhe não ocorrem como as estradas e as telecomunicações, a aeronáutica, &c. Foi tudo feito pelo Estado Novo a partir quase do nada.
« Ando às vezes com Salazar debaixo do braço. Ontem vinha com o primeiro volume dos Discursos porque queria passar a forma electrónica as páginas do prefácio à 4.ª edição. O que nele pude ler em escassas 40 páginas assombrou-me pela clareza da exposição de todo um pensamento político e pela capacidade de o sintetizar sem perda em tão pouco papel. Admira-me tamanha simplicidade tanto mais que sei o penoso que me é redigir coerentemente a partir duma meada de ideias que me amiúde assalta e a que tanta vez não acho o fio.
A admiração por Salazar, nem que seja por um mero prefácio, não se deve verbalizar, nem muito nem pouco (é exactamente isto a censura) pois o papaguear de chavões e ideias feitas (o ruído — a censura de hoje) que se ouve em reposta é quase pavloviano. Mesmo que comece por uma admiração formal — Ah! era ele duma inteligência muito superior. Entendia muito bem os problemas. E acho que era sério. Só fez uma coisa mal: o analfabetismo...
O analfabetismo?! A que propósito agora esta...?
Parece que para dizer que com intuito de manter o povo dócil pela ignorância.
Como consegue alguém concluir isto doutrem quando lhe acaba de afirmar uma inteligência superior e uma índole séria espanta-me. Mas não vou estar (como não estive, no caso) a perder-me em grande retórica para rebater estes ditos que se dizem. Basta-me um quadrinho [agora aqui, um gráfico] com o número dos indígenas cá no reino pelo séc. XX e a porção deles que eram analfabetos, com o bocejo de ver o progresso de 2 milhões e 700 mil que sabiam as letras em algo menos de 7 milhões de portugueses (1930), e compará-lo com 6 milhões e 400 mil alfabetizados numa população de oito milhões e 600 mil (1970); eis aí o trabalho feito do começo ao fim do Estado Novo.
Cada um perceba os factos consoante seja mais ou menos analfabeto ou deixe-se meramente andar na crença em vive.»



